Quero mais que simplesmente viver;
Quero ir além do possível;
Quero atingir o inatingível;
Quero conhecer o último ser humano;
E quero conhecer o ser humano.
Quero ir além do óbvio;
Quero questionar o inquestionável;
Quero sentir o insensível;
Quero descobrir o que há no coração humano;
Quero viver o amor verdadeiro;
E também o não verdadeiro.
Quero mais que liberdade;
Quero poder amar apenas por amar;
Quero encontrar a verdadeira paz;
Quero ser único;
Quero ser eu;
E quero descobrir-me.
Quero morrer para o orgulho;
Quero morrer para a inveja;
Quero morrer para a falsidade;
Quero morrer para a indiferença do coração humano;
E quero viver para quem quiser que eu viva.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Utopia
Das muitas coisas
Do meu tempo de criança
Guardo vivo na lembrança
O aconchego de meu lar
No fim da tarde
Quando tudo se aquietava
A família se ajuntava
Lá no alpendre a conversar
Meus pais não tinham
Nem escola e nem dinheiro
Todo dia o ano inteiro
Trabalhavam sem parar
Faltava tudo
Mas a gente nem ligava
O importante não faltava
Seu sorriso, seu olhar
Eu tantas vezes
Vi meu pai chegar cansado
Mas aquilo era sagrado
Um por um ele afagava
E perguntava
Quem fizera estrepolia
E mamãe nos defendia
E tudo aos poucos se ajeitava
O sol se punha
A viola alguém trazia
Todo mundo então pedia
Ver papai cantar pra gente
Desafinado
Meio rouco e voz cansada
Ele cantava mil toadas
Seu olhar no sol poente
Correu o tempo
E eu vejo a maravilha
De se ter uma família
Enquanto muitos não a tem
Agora falam
Do desquite ou do divórcio
O amor virou consórcio
Compromisso de ninguém
Há tantos filhos
Que bem mais do que um palácio
Gostariam de um abraço
E do carinho entre seus pais
Se os pais amassem
O divórcio não viria
Chame a isso de utopia
Eu a isso chamo paz.
Do meu tempo de criança
Guardo vivo na lembrança
O aconchego de meu lar
No fim da tarde
Quando tudo se aquietava
A família se ajuntava
Lá no alpendre a conversar
Meus pais não tinham
Nem escola e nem dinheiro
Todo dia o ano inteiro
Trabalhavam sem parar
Faltava tudo
Mas a gente nem ligava
O importante não faltava
Seu sorriso, seu olhar
Eu tantas vezes
Vi meu pai chegar cansado
Mas aquilo era sagrado
Um por um ele afagava
E perguntava
Quem fizera estrepolia
E mamãe nos defendia
E tudo aos poucos se ajeitava
O sol se punha
A viola alguém trazia
Todo mundo então pedia
Ver papai cantar pra gente
Desafinado
Meio rouco e voz cansada
Ele cantava mil toadas
Seu olhar no sol poente
Correu o tempo
E eu vejo a maravilha
De se ter uma família
Enquanto muitos não a tem
Agora falam
Do desquite ou do divórcio
O amor virou consórcio
Compromisso de ninguém
Há tantos filhos
Que bem mais do que um palácio
Gostariam de um abraço
E do carinho entre seus pais
Se os pais amassem
O divórcio não viria
Chame a isso de utopia
Eu a isso chamo paz.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Ressábios - Luiz Marenco
Qualquer dia desses vou sentar a sombra
De um tarumã copado que eu mesmo plantei
Repensar a vida cuidar meus ressábios
E fazer com gosto as coisas que eu sei
Vou mandar embora tudo o que não serve
E largar pro campo os de lombo judiado
Vou bater as brasas e apertar o mate
Só pra ver de longe quem tá do meu lado
Quero ver se o tempo se acomoda um pouco
Porque falta um tempo pra eu chegar no fim
Só cuido da vida e mesmo assim me perco
O que dirão os outros que falam de mim
Quem sabe de mim sou eu mesmo e basta
Não bebo da água onde uns lavam a alma
Nem espero as sobras pra matar minha fome
Porque faço tudo do meu jeito em calma
Pra quem é amigo eu alcanço um mate
Pra quem não é desses eu sirvo também
Uns com jujos n'água pra matar a sede
Outros bem amargo como me convém
Qualquer dia desses ainda me dou conta
Que ando cansando meu pingo do andar
Porque sei que a estrada só se faz de rumos
E quem sabe dele não vai nos contar
Quero ver se o tempo se acomoda um pouco
Porque falta um tempo pra eu chegar no fim
Só cuido da vida e mesmo assim me perco
O que dirão os outros que falam de mim
Quem sabe de mim sou eu mesmo e basta
Não bebo da água onde uns lavam a alma
Nem espero as sobras pra matar minha fome
Porque faço tudo do meu jeito em calma
Porque faço tudo do meu jeito em calma
De um tarumã copado que eu mesmo plantei
Repensar a vida cuidar meus ressábios
E fazer com gosto as coisas que eu sei
Vou mandar embora tudo o que não serve
E largar pro campo os de lombo judiado
Vou bater as brasas e apertar o mate
Só pra ver de longe quem tá do meu lado
Quero ver se o tempo se acomoda um pouco
Porque falta um tempo pra eu chegar no fim
Só cuido da vida e mesmo assim me perco
O que dirão os outros que falam de mim
Quem sabe de mim sou eu mesmo e basta
Não bebo da água onde uns lavam a alma
Nem espero as sobras pra matar minha fome
Porque faço tudo do meu jeito em calma
Pra quem é amigo eu alcanço um mate
Pra quem não é desses eu sirvo também
Uns com jujos n'água pra matar a sede
Outros bem amargo como me convém
Qualquer dia desses ainda me dou conta
Que ando cansando meu pingo do andar
Porque sei que a estrada só se faz de rumos
E quem sabe dele não vai nos contar
Quero ver se o tempo se acomoda um pouco
Porque falta um tempo pra eu chegar no fim
Só cuido da vida e mesmo assim me perco
O que dirão os outros que falam de mim
Quem sabe de mim sou eu mesmo e basta
Não bebo da água onde uns lavam a alma
Nem espero as sobras pra matar minha fome
Porque faço tudo do meu jeito em calma
Porque faço tudo do meu jeito em calma
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Canto dos Livres - Cenair Maicá
Se meu destino é cantar, eu canto
Meu mundo é mais que chorar, não choro
A vida é mais do que pranto, é um sonho
Com matizes sonoros
Hay os que cantam desditas de amores
Por conveniência agradando os senhores
Mas os que vivem a cantar sem patrão
Tocam nas cordas do seu coração
Quem canta refresca a alma
Cantar adoça o viver
Assim eu vivo cantando
Prá aliviar meu padecer
Quisera um dia cantar com o povo
Um canto simples de amor e verdade
Que não falasse em misérias nem guerras
Nem precisasse clamar liberdade
No cantar de quem é livre
Hay melodias de paz
Horizontes de ternura
Nesta poesia de andar
Quisera ter a alegria dos pássaros
Na sinfonia do alvorecer
De cantar para anunciar quando vem chuva
E avisar que já vai anoitecer
E ao chegar a primavera com as flores,
Cantar um hino de paz e beleza
Longe da prisão dos homens, da fome
Prá nunca cantar tristeza
Quem canta refresca a alma
Cantar adoça o viver
Assim eu vivo cantando
Prá aliviar meu padecer
Meu mundo é mais que chorar, não choro
A vida é mais do que pranto, é um sonho
Com matizes sonoros
Hay os que cantam desditas de amores
Por conveniência agradando os senhores
Mas os que vivem a cantar sem patrão
Tocam nas cordas do seu coração
Quem canta refresca a alma
Cantar adoça o viver
Assim eu vivo cantando
Prá aliviar meu padecer
Quisera um dia cantar com o povo
Um canto simples de amor e verdade
Que não falasse em misérias nem guerras
Nem precisasse clamar liberdade
No cantar de quem é livre
Hay melodias de paz
Horizontes de ternura
Nesta poesia de andar
Quisera ter a alegria dos pássaros
Na sinfonia do alvorecer
De cantar para anunciar quando vem chuva
E avisar que já vai anoitecer
E ao chegar a primavera com as flores,
Cantar um hino de paz e beleza
Longe da prisão dos homens, da fome
Prá nunca cantar tristeza
Quem canta refresca a alma
Cantar adoça o viver
Assim eu vivo cantando
Prá aliviar meu padecer
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Soneto de Fidelidade - Vinicius de Moraes
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
China. Jayme Caetano Braun
A maior das gauchadas
Que há na Sagrada Escritura,
- Falo como criatura,
Mas penso que não me engano! -
É aquela, em que o Soberano,
Na sua pressa divina,
Resolveu fazer a china
Da costela do Paisano!
Bendita china gaúcha
Que és a rainha do pampa,
E tens na divina estampa
Um quê de nobre e altivo.
És perfume, és lenitivo
Que nos encanta e suaviza
E num minuto escraviza
O índio mais primitivo!
Fruto selvagem do pago,
Potranquita redomona,
Teus feitiços de madona
Já manearam muito cuera,
E o teu andar de pantera,
Retovado de malícia
Nesta querência patrícia
Fez muito rancho tapera!
Refletem teus olhos negros
Velhas orgias pagãs
E a beleza das manhãs,
Quando no campo clareia...
Até o sol que te bronzeia
Beijando-te a estampa esguia
Faz de ti, prenda bravia
Uma pampeana sereia!
Jamais alguém contestou
O teu cetro de realeza!
E o trono da natureza
É teu, chinoca lindaça...
Pois tu refletes com graça
As fidalgas Açorianas
Charruas e Castelhanas
Vertentes Vivas da Raça!
A mimosa curvatura
Desse teu corpo moreno
É o pago em ponto pequeno
Feito com arte divina,
E o teu colo que se empina
Quando suspiras com ânsia
São dois cerros na distância
Cobertos pela neblina.
Quem não te adora o cabelo
mais negro que o picumã?
E essa boca de romã
Nascida para o afago,
Como que a pedir um trago
Desse licor proibido
Que o índio bebe escondido
Desde a formação do Pago?
Pra mim tu pealaste os anjos
Na armada do teu sorriso,
Fugindo do Paraíso,
Para esta campanha agreste,
E nalgum ritual campestre,
Por força do teu encanto,
Transformaste o pago santo
Num paraíso terrestre!
Que há na Sagrada Escritura,
- Falo como criatura,
Mas penso que não me engano! -
É aquela, em que o Soberano,
Na sua pressa divina,
Resolveu fazer a china
Da costela do Paisano!
Bendita china gaúcha
Que és a rainha do pampa,
E tens na divina estampa
Um quê de nobre e altivo.
És perfume, és lenitivo
Que nos encanta e suaviza
E num minuto escraviza
O índio mais primitivo!
Fruto selvagem do pago,
Potranquita redomona,
Teus feitiços de madona
Já manearam muito cuera,
E o teu andar de pantera,
Retovado de malícia
Nesta querência patrícia
Fez muito rancho tapera!
Refletem teus olhos negros
Velhas orgias pagãs
E a beleza das manhãs,
Quando no campo clareia...
Até o sol que te bronzeia
Beijando-te a estampa esguia
Faz de ti, prenda bravia
Uma pampeana sereia!
Jamais alguém contestou
O teu cetro de realeza!
E o trono da natureza
É teu, chinoca lindaça...
Pois tu refletes com graça
As fidalgas Açorianas
Charruas e Castelhanas
Vertentes Vivas da Raça!
A mimosa curvatura
Desse teu corpo moreno
É o pago em ponto pequeno
Feito com arte divina,
E o teu colo que se empina
Quando suspiras com ânsia
São dois cerros na distância
Cobertos pela neblina.
Quem não te adora o cabelo
mais negro que o picumã?
E essa boca de romã
Nascida para o afago,
Como que a pedir um trago
Desse licor proibido
Que o índio bebe escondido
Desde a formação do Pago?
Pra mim tu pealaste os anjos
Na armada do teu sorriso,
Fugindo do Paraíso,
Para esta campanha agreste,
E nalgum ritual campestre,
Por força do teu encanto,
Transformaste o pago santo
Num paraíso terrestre!
Assinar:
Postagens (Atom)