Deputados estaduais do Rio Grande do Sul aprovaram na noite de terça-feira, por 29 votos a zero, o reajuste de 22,5% aos professores.
Na quinta feira, em seu comentário no Jornal do Almoço, renomado formador de opinião da RBS Lazier Martins, afirmou que o reajuste abaixo do piso nacional do magistério geraria, ao final de 2014, para quando o governo prometeu pagar o piso nacional, um rombo de mais de 8 bilhões de reais aos cofres públicos, sem contar as ações judiciais de professores que tentarão buscar na justiça o direito de receber o devido valor.
Eu, porem, iria além, pois tenho conhecimento de causa para abordar essa questão.
Sou filho de professora, que durante 25 longos anos de sua vida, acordava às 6 da manhã para pegar o ônibus e ir para a escola dar aula e hoje, aposentada à 12 anos, recebe de salário base a exorbitante quantia de R$ 360,00.
A desculpa que o governo não tem dinheiro pra pagar o piso é antiga e passa por todos os governos, mas senão tivessem dinheiro, não estariam em obras para receber a copa do mundo de 2014.
Argumento que para alguns pode ser fraco, no entanto, o que deve servir de fundamento para este comentário não é somente esse.
É essencial que se invista em infra-estrutura, mobilidade urbana, transporte coletivo e outras coisas que melhorem a qualidade de vida do povo, o que não se pode é deixar de investir na educação para fazer obra “pra inglês ver”.
Digo mais, a divida que o governo vai acumular ao longo desse período com a educação, digo educação porque é assim que o governo e o povo gaúcho deve pensar, não é dívida com o magistério, é divida com a educação, e essa dívida vai ultrapassar e muito a barreira de 8 bilhões.
Isso porque em meados dos anos 70 o RS tinha o orgulho de ter a melhor qualidade de ensino do país, hoje amargamos a 7ª posição, nos anos setenta provavelmente tínhamos essa qualidade devido às “brizoletas”, pequenas escolas construídas nas zonas distantes da cidade que proporcionavam educação de qualidade a todas as crianças.
Ideologias a parte, o que se deve perceber é que o governo não investe em educação porque não tem interesse, dinheiro tem, não tem interesse em educar seu povo.
Não adianta colocar todas as crianças na escola se o professor vai para a aula despreparado, desmotivado pelo baixo salário que não garante a ele uma possibilidade de melhorar na sua carreira. Educação não é número de pessoas na escola é sim qualidade para formar cidadãos responsáveis pela vida em comum, é formar homens e mulheres que saibam distinguir, no futuro, com quem devemos nos preocupar de fato, se com nossas pessoas, ou se com os dirigentes da copa do mundo e os donos das empresas que patrocinam a miséria e a burrice de uma nação.
“A educação é o único caminho para emancipar o homem. Desenvolvimento sem educação é criação de riqueza apenas para alguns privilegiados. É fazer os ricos mais ricos e poderosos, e os pobres mais dependentes. É necessário que o povo participe dos lucros sociais do desenvolvimento. A educação deve ser considerada como uma espécie de pré-requisito do desenvolvimento, pois que só ela prepara o homem para usufruir os benefícios do progresso e serve de arma para reclamar, conscientemente, esses benefícios" (Leonel de Moura Brizola, Sede da UNE - União Nacional de Estudantes - Rio de Janeiro 16 /06/1961).

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